Da possibilidade de crianças amadas e desenvolvimento físico e psíquico harmonioso para o aumento das atrocidades: fome, tráfico, assédio sexual e morte.
No Dia Internacional da Criança importa, acima de tudo, relembrar que nem todas as crianças vivem em ambientes seguros e que nos compete continuar a exigir que assim aconteça.
Nos últimos anos assistimos ao agravamento da condição de vulnerabilidade que caracteriza o ser criança, seja nos barcos que atravessaram o Mediterrâneo e, tendo conseguido, vivem em campos de refugiados à porta das grandes cidades europeias; seja as que são obrigadas a percorrer milhares de quilómetros dentro dos seus próprios países devido à guerra ou às catástrofes climáticas; seja as que continuam a ser assassinadas na sua terra às mãos da barbárie ocupante como acontece em Gaza e agora no Líbano; seja as que, ao nascer, já são consideradas seres inferiores como é o caso das meninas, no Irão; seja, ainda as que viram e sentem a vida a esvair-se pela falta de apoio, incluindo nutricional, que lhes chegava através das doações de países ricos.
Todas estas circunstâncias garantem a ocasião ideal para o aumento de tráfico de crianças, na sua maioria, para caírem na rede internacional de pedofilia.
Em Portugal, o aumento das denuncias públicas de violência doméstica que envolvem crianças e de assédio sexual, sem esquecer o aumento do bulliyng nas escolas devem preocupar-nos a todos e exigem decisões políticas que garantam mais e melhor proteção.
Os direitos das crianças não podem ser dissociados dos direitos dos pais. Sem trabalho digno, salários justos, estabilidade laboral e horários compatíveis com a vida familiar, não há infância protegida nem desenvolvimento integral.
A profissão de enfermagem, maioritariamente feminina é já, pelas funções que lhe são inerentes, de grande sobrecarga emocional e física. Lidar diariamente com o sofrimento, a morte, o fim de vida, as esperas prolongadas por tratamentos, por intervenções cirúrgicas e consultas são fatores que concorrem para o aumento desse sofrimento. Equipas subdotadas decorrente da carência de enfermeiros, o sistemático recurso a horas extraordinárias e o aumento da desregulação dos horários faz com ser mãe ou viver a parentalidade possa ser, ainda mais, doloroso.
A realidade é preocupante e, por isso, neste dia mundial da criança, é imperioso exigir:
- O fim de todas as formas de violência contra as crianças e a sua salvaguarda de todos os cenários de catástrofe que aumentem a sua condição de vulnerabilidade: guerra, alterações climáticas, fome e subnutrição, falta de cuidados de saúde e de vacinas, etc.;
- Proteção efetiva do seu direito a ser amamentada e/ou aleitada;
- Manutenção do reconhecimento do luto gestacional;
- Preservação e alargamento do direito ao horário flexível;
- Licença parental verdadeiramente inclusiva e acessível;
- Políticas laborais compatíveis com a dignidade humana e familiar;
- Respeito pelas recomendações de saúde materno-infantil;
- Políticas construídas com famílias e trabalhadores, e não contra eles;
- Rejeição do pacote laboral do governo lesivo de direitos e garantias constitucionais.