27 Março, 2026
ULS do Algarve continua a discriminar os enfermeiros
ULS do Algarve diz não ter dinheiro para pagar os retroativos aos enfermeiros mas paga milhares de euros a médicos tarefeiros.

A greve nacional dos enfermeiros, decorrida a 20 de março, foi motivada por um conjunto de reivindicações que continuam sem resposta, entre as quais se destacam a resolução de todas as situações que decorrem da contabilização de pontos (anos de trabalho) que impedem a justa progressão na carreira.

Relativamente ao pagamento dos retroativos, o Tribunal decidiu que os enfermeiros tinham razão, obrigando a ULS do Algarve a pagar os valores em dívida referentes ao período entre 2018 e dezembro de 2021, como o SEP sempre defendeu e exigiu.

Neste contexto, exigimos a harmonização da decisão do tribunal a todos os enfermeiros da ULS, nas mesmas circunstâncias. Aparentemente, o Conselho de Administração terá assumido que não o irá fazer por falta de dinheiro.

Contudo, parece não faltar dinheiro à ULS do Algarve para continuar a pagar milhares de euros a médicos tarefeiros insistindo numa solução que a própria Ministra da Saúde anunciou querer pôr um fim.

A ser verdade as notícias recentemente vindas a público relativamente a um único médico tarefeiro (que se passeia pelas urgências de vários hospitais, de norte a sul do país) continuamos a assistir à delapidação do erário público sem que, nestes casos, se avalie a efetividade, a produtividade e a eficiência.

O SEP exige que a Ministra da Saúde tome uma posição sobre esta “suposta falta de dinheiro” para resolver os problemas dos enfermeiros, mas parece não faltar para a adoção de soluções que não resolvem os problemas do acesso dos algarvios aos cuidados de saúde.

Exigimos ainda, a resolução de todos os problemas relacionados com a contabilização de pontos (incluindo a contabilização de pontos para trás do reposicionamento salarial ocorrido em 2011, 2012 e 2013 aos enfermeiros que exerciam na ex-ARS do Algarve) e o pagamento dos retroativos aos enfermeiros.

Segundo a Entidade Reguladora da Saúde, entre 2024 e 2025 a ULS do Algarve perdeu 322 enfermeiros. 

Questiona-se quanto mais serão necessários sair para que a administração perceba que tem que adotar medidas de retenção de enfermeiros, incluindo acabar com a discriminação!

Nota enviada aos media a 27 de março de 2026