O crescimento económico caiu, o investimento público não atingiu a média da União Europeia, a inflação de produtos alimentares disparou, os salários e pensões continuam muito baixos e agravou-se a desigualdade entre homens e mulheres.
Eugénio Rosa, economista, demonstra neste estudo que é falsa a propaganda do Governo quando afirma estarmos hoje melhor, com mais crescimento económico e mais e melhores salários.
Os dados utilizados no estudo são todos do INE, da Segurança Social portuguesa, e do Eurostat, portanto são todos dados oficiais.
A linguagem fria, mas objetiva dos dados oficiais não permitirá qualquer acusação de parcialidade porque para isso já bastam os órgãos de comunicação social, os comentadores selecionados a dedo, agora designados por “especialistas” e mesmo muitos jornalistas que abandonaram o princípio do contraditório, que é um princípio fundamental do bom jornalismo.
Desde que o Governo entrou em funções, em 2024, o crescimento económico tem vindo a cair como revelam os dados INE, contrariando as previsões e a versão do governo.
Os dados seguintes foram divulgados pelo INE divulgada em 30 de janeiro de 2026. Os dados constantes dela desmentem quer as previsões de crescimento económico do Governo quer as suas afirmações de que agora o aumento anual do PIB real (crescimento da riqueza) é maior do que nos anos anteriores.
Taxa de variação anual do crescimento do PIB em 2023, 2024 e 2025, tendo por referência o ano de 2021:
- 2023 foi de 3,1% (dados definitivos)
- 2024 foi de 2,1% (dados provisórios)
- 2025 foi de 1,9% (dados preliminares)
É real a queda no crescimento económico. O aumento do PIB registado em 2025 (apenas 1,9%) corresponde a 61,3% do verificado em 2023 (3,1%) mas, no relatório do Orçamento do Estado de 2025, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro acusava os governos anteriores de estagnação e previa um crescimento económico superior a 2%. Para 2026, a previsão é de um crescimento de 2,3% que não permite a Portugal sair do atraso.
O desinvestimento público aprofundou a degradação dos equipamentos (hospitais, escolas, infraestruturas de transporte e outras, etc.) e contribuiu para um crescimento económico insuficiente.
Os dados seguintes do Eurostat, mostra uma das causas mais importantes da degradação dos equipamentos com consequências dramáticas para as populações a nível do SNS, nas escolas públicas, nas infraestruturas para conter fogos, furacões, transbordo de rios, cheias, inundações, etc.
Investimento público em percentagem do PIB na União Europeia e em Portugal:
2013 – União Europeia foi de 3,2% versus 2,2% em Portugal; 2014 – União Europeia foi de 3,1% versus 2,0%; 2015 – 3,2% versus 2,3%; 2016 – 2,9% versus 1,6%; 2017 – 2,9% versus 1,8%; 2018 – 3,1 versus 1,9%; 2019 – 3,2% versus 1,8%; 2020 – 3,5% versus 2,3%; 2021 – 3,4% versus 2,6%; 2022 – 3,3% versus 2,4%, 2023 – 3,6% versus 2,6%; 2024 – 3,7% versus 2,7%
A inflação de produtos alimentares disparou com o atual governo, como revela o Instituto Nacional de Estatística (INE)
Os dados divulgados revelam o aumento dos preços dos produtos alimentares não transformados comparativamente aos períodos homólogos de 2024:
Em janeiro de 2025 o aumento comparativamente a janeiro de 2024 foi de 1,5%; em fevereiro de 2025 o aumento comparativamente a fevereiro de 2024 foi de 1,7%; em março de 2025 foi de 1,9%; em abril foi de 2,2%; em maio foi de 2,3%; em junho foi de 2,6%; em julho foi de 2,8%; em agosto foi de 3,4%; em setembro foi de 3,9%; em outubro foi de 4,2%; em novembro foi de 4,5%; em dezembro foi de 4,8%; em janeiro de 2026 foi de 5,1%.
O Governo tomou posse no início de abril de 2024 e os preços dos produtos alimentares a 12 meses, terminado em março de 2025, tinham aumentado 1,9% quando comparado com idêntico período anterior. Em janeiro de 2026, o aumento atingia já os 5,1% e subiram durante todos os meses anteriores.
A subida dos preços da alimentação tem um efeito devastador nas condições de vida dos mais pobres, e isto porque o peso da alimentação no orçamento destas famílias chega a representar cerca de 40% ou mais da despesa, enquanto nas classes de rendimentos mais elevados é menor.
Em novembro de 2025, 1.119 908 trabalhadoras e 1.284.153 trabalhadores, no total de 2. 484 061, representante 55,9%, recebiam uma remuneração média inferior a 890€ por mês.
Em novembro de 2025, 2.484.061, ou seja, 55,9% dos trabalhadores recebiam uma remuneração líquida inferior a 890€, e em dezembro de 2025 a pensão média de velhice das mulheres (1.090.000) era apenas 543€.
Relativamente às pensões médias de velhice de Mulheres e Homens, em dezembro de 2025, a pensão média era de 543€ para as mulheres e de 869€ para os homens.
A diferença entre as pensões das mulheres e homens, em euros, aumentou entre abril de 2024 e dezembro de 2025 aprofundando as desigualdades e a maior situação de vulnerabilidade das mulheres.