16 Maio, 2026
Discurso de intenções do Primeiro-ministro
Em momento algum anuncia a resolução de problemas que se arrastam, nomeadamente o pagamento dos retroativos

O Primeiro-ministro, na sua intervenção, durante o Congresso da Ordem dos Enfermeiros afirmou que é importante “passar das palavras aos atos, deixar apenas os princípios que são os prints dos discursos e concretizar em questões e decisões concretas os princípios”.

É preciso ter arrojo e desfaçatez. Isto porque:

Afirmou que em 2 anos já admitiram mais 2 126 enfermeiros

Contudo, não contabiliza os devidos pontos para progressão na carreira nem paga os retroativos de 2028 a 2021 que deve aos enfermeiros, discriminando-os;

Afirma que o exercício especializado de enfermagem deve ter também a componente de valorização remuneratória.

Contudo, não transita para a categoria de enfermeiro especialista centenas de enfermeiros que têm o título de Especialista desde 2019, não descongela vagas para abertura de concurso para esta categoria, não resolve “a saída das posições intermédias” nem outras injustiças;

Afirma que conta com os enfermeiros para o exercício de funções de gestão.

Contudo, não descongela vagas para a abertura de concursos para a categoria de Enfermeiros Gestor nem para Funções de Direção.

Exaltou a relevância do papel dos enfermeiros na área dos cuidados de saúde primários;

Contudo, o Ministério da Saúde não paga dívidas aos enfermeiros ainda “do tempo das ex-ARS extintas” nem reforça o número de enfermeiros, designadamente para Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) e equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) e UCSP

Afirma que as Escolas, no Porto, Coimbra e Lisboa, já integraram as universidades,

Contudo, sem concretizar se todo o ENSINO de enfermagem irá integrar o sub-sistema universitário.      

 E, expressa a sua vontade de, proximamente, o Ministério da Saúde poder vir a chegar a acordo relativamente ao Acordo Coletivo de Trabalho apresentado pelo governo, sublinhando que isso significaria, mais uma vez, os enfermeiros estarem na vanguarda.

Este discurso, igual ao que o Primeiro-ministro tem tido em relação ao Pacote Laboral é inaceitável. Ou seja, apresenta uma proposta que retira direitos, que retira rendimentos através do Banco de Horas e da Adaptabilidade e considera que aceitar é estar na vanguarda.

Os enfermeiros têm vindo a erguer a sua voz contra a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho do Governo/Ministério da Saúde. Fazer “orelhas moucas” é não ouvir quem trabalha, quem cuida, quem está nos serviços ou quem, ainda está a fazer um esforço para não abandonar a profissão.

Defender os direitos dos enfermeiros e valorizar a profissão é o dever de todos, é o dever do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. 

Nota à imprensa enviada a 16 de maio de 2026