Posição pública da Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens no Dia Mundial da Saúde Mental
No Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala hoje, 10 de outubro, a Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens apresenta as suas reivindicações para combater um problema que já afeta milhões de trabalhadores em todo o mundo, em especial as mulheres, pelos múltiplos papéis que desenvolvem:
Quem cuida da saúde mental das mulheres trabalhadoras quando é o próprio trabalho que a está a destruir?
Não basta falar de resiliência. Não basta ensinar a gerir o stress. Não basta disponibilizar apoio psicológico quando as causas estão no trabalho: sobrecarga, horários longos e desregulados, precariedade, baixos salários, assédio, discriminação e falta de tempo para viver
Os números confirmam que não estamos perante um problema individual
No OSH Pulse 2025, da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), 31% das trabalhadoras na UE declararam ter sofrido, nos 12 meses anteriores, stress, depressão ou ansiedade causados ou agravados pelo trabalho, contra 27% dos homens. Na ansiedade, a diferença é ainda maior: 26% das mulheres contra 16% dos homens. Em Portugal, 49% dos trabalhadores referiram estar expostos a forte pressão temporal ou sobrecarga de trabalho, valor superior à média da UE, de 44% (EU-OSHA, OSH Pulse 2025: Occupational safety and health in the era of climate and digital change, 2025. O inquérito envolveu 25.688 trabalhadores na UE-27 e 1.003 em Portugal)
E os dados mais recentes do Inquérito Nacional de Saúde 2025, do INE, mostram que 32,8% das mulheres empregadas se ausentaram do trabalho pelo menos um dia, nos 12 meses anteriores à entrevista, devido a problemas de saúde, contra 29,8% dos homens (INE, Inquérito Nacional de Saúde 2025, resultados divulgados em 2026).
Mas há uma parte desta realidade que os números não conseguem medir:
as mulheres que continuam a trabalhar quando estão doentes;
as que chegam ao trabalho depois de uma noite sem dormir
as que acumulam trabalho profissional, doméstico e de cuidado
as que suportam o assédio em silêncio
as que vivem sob pressão permanente
A saúde mental também se decide nas condições em que se trabalha e vive. Por isso, a resposta não pode ser dizer às mulheres para aguentarem mais
É o trabalho que tem de deixar de exigir o insuportável.
A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens (CIMH) EXIGE:
— Prevenção efetiva dos riscos psicossociais;
— Combate ao assédio, à violência e à discriminação;
— Horários que permitam descansar, cuidar e viver;
— 35 horas semanais, sem perda de salário;
— Emprego estável e salários dignos;
— Efetiva conciliação entre trabalho e vida pessoal e familiar;
— Acesso atempado e gratuito aos cuidados de saúde mental no SNS;
— Protecção das trabalhadoras com problemas de saúde mental;
— Participação dos trabalhadores e dos seus representantes na prevenção dos riscos psicossociais.
A saúde mental não é um luxo, é um direito. E trabalhar não pode significar adoecer.