8 Maio, 2025
Os enfermeiros das ULS do Algarve fizeram greve pelo pagamento de retroativos e a valorização do trabalho em dias de descanso.

Os enfermeiros das ULS do Algarve estiveram em greve, e exigem o pagamento do retroativos de 2018 e a renumeração de dias de descanso e feriados trabalhados. A paralisação teve impacto sobretudo nos serviços de Cardiologia e Medicina do Hospital de Faro.

Esta ação reivindicativa surge em resposta à postura inaceitável do Conselho de Administração, que continua a ignorar as nossas justas exigências e as propostas que fizemos. A injustiça que enfrentamos há anos não desaparece, pelo contrário: agrava-se com o silêncio de uma Administração que não nos responde.

Diariamente, existem pedidos de exoneração de enfermeiros: uns para instituições que os valorizam mais, outros abandonam a profissão. E as razões são claras: falta de valorização e reconhecimento do papel dos enfermeiros na organização, falta de resposta que minimize o bournout das equipas e que se agravam, falta de cumprimento de regras negociadas e consagradas na Orientação sobre horários de Trabalho dos Enfermeiros.

Fazemos greve porque estamos diariamente nos serviços e faltam cada vez mais respostas aos problemas que se agravam.

Exigimos:

  1. Pagamento justo dos retroativos desde 2018 – ao recorrerem da decisão do tribunal, e com a argumentação que apresentam, o Conselho de Administração decide perpetuar a injustiça.

Nota: o Tribunal Constitucional já decidiu favoravelmente pela inconstitucionalidade do art.º 5 do DL 80-B/2022, como sempre defendemos!

  1. Continuamos a exigir uma avaliação de desempenho justa – a atribuição do Bom a todos os enfermeiros é mais do que justa, por várias razões incluindo as condições de trabalho cada vez mais degradadas.
  1. Majoração do pagamento das horas trabalhadas em dias feriados e folgas, que pelo seu simbolismo social, não podem ser pagos ao valor da hora normal e/ou abaixo daquele valor. A proposta do pagamento a 200% e a sua decisão não impõe a necessidades de um Acordo de Empresa.
  1. Falta de investimento nos recursos humanos. Há meses que não há contratação de enfermeiros, enquanto as exonerações aumentam. As equipas de enfermagem fazem de horas extraordinárias intermináveis as necessidades. É inadmissível! Temos o direito a ter vida pessoal!
  1. O Plano de Contingência de verão teve início a 1 de maio, mas como garantir a sua implementação sem o número suficiente de enfermeiros? Se contratar é difícil, oferecer condições para reter os enfermeiros é uma realidade possível, começando pelo pagamento das dívidas existentes.