Os enfermeiros das ULS do Algarve fizeram greve pelo pagamento de retroativos e a valorização do trabalho em dias de descanso.
Os enfermeiros das ULS do Algarve estiveram em greve, e exigem o pagamento do retroativos de 2018 e a renumeração de dias de descanso e feriados trabalhados. A paralisação teve impacto sobretudo nos serviços de Cardiologia e Medicina do Hospital de Faro.
Esta ação reivindicativa surge em resposta à postura inaceitável do Conselho de Administração, que continua a ignorar as nossas justas exigências e as propostas que fizemos. A injustiça que enfrentamos há anos não desaparece, pelo contrário: agrava-se com o silêncio de uma Administração que não nos responde.
Diariamente, existem pedidos de exoneração de enfermeiros: uns para instituições que os valorizam mais, outros abandonam a profissão. E as razões são claras: falta de valorização e reconhecimento do papel dos enfermeiros na organização, falta de resposta que minimize o bournout das equipas e que se agravam, falta de cumprimento de regras negociadas e consagradas na Orientação sobre horários de Trabalho dos Enfermeiros.
Fazemos greve porque estamos diariamente nos serviços e faltam cada vez mais respostas aos problemas que se agravam.
Exigimos:
- Pagamento justo dos retroativos desde 2018 – ao recorrerem da decisão do tribunal, e com a argumentação que apresentam, o Conselho de Administração decide perpetuar a injustiça.
Nota: o Tribunal Constitucional já decidiu favoravelmente pela inconstitucionalidade do art.º 5 do DL 80-B/2022, como sempre defendemos!
- Continuamos a exigir uma avaliação de desempenho justa – a atribuição do Bom a todos os enfermeiros é mais do que justa, por várias razões incluindo as condições de trabalho cada vez mais degradadas.
- Majoração do pagamento das horas trabalhadas em dias feriados e folgas, que pelo seu simbolismo social, não podem ser pagos ao valor da hora normal e/ou abaixo daquele valor. A proposta do pagamento a 200% e a sua decisão não impõe a necessidades de um Acordo de Empresa.
- Falta de investimento nos recursos humanos. Há meses que não há contratação de enfermeiros, enquanto as exonerações aumentam. As equipas de enfermagem fazem de horas extraordinárias intermináveis as necessidades. É inadmissível! Temos o direito a ter vida pessoal!
- O Plano de Contingência de verão teve início a 1 de maio, mas como garantir a sua implementação sem o número suficiente de enfermeiros? Se contratar é difícil, oferecer condições para reter os enfermeiros é uma realidade possível, começando pelo pagamento das dívidas existentes.