Com o objetivo de alertar a população para os problemas que nós enfermeiros sentimos diariamente vamos realizar uma iniciativa no Fundão. Junta-te a nós.
3 de agosto | entre as 10h e as 12h30 | Feira do Fundão
No ano em que o REPE faz 30 anos e que a voz de cada enfermeiro deveria contar mais para a solução dos problemas resultante do aumento das necessidades em cuidados das populações e da dinâmica dos serviços para lhes fazer face, qual é a tua percepção?
Sentes que exerces a autonomia que desde 1996 está consagrada em lei?
Queres exercer essa autonomia?
Como?
Os problemas dos enfermeiros têm que sair fora de portas das instituições de saúde. As populações têm o direito a conhecê-los e fazer parte da solução
A carência de enfermeiros que se arrasta sem que exista vontade política para resolver ainda que isso signifique um agravar das condições físicas e psíquicas dos que têm que continuar a fazer o trabalho pelos que deveriam estar
A exploração das competências especializadas resultante da não abertura de concursos de acesso à respetiva categoria
Os serviços e unidades que continuam sem enfermeiros gestores determinando que outros tantos assumam essa responsabilidade, mas, só a responsabilidade
A sistemática discriminação entre os enfermeiros do distrito resultante da ausência de vontade e visão gestionária de uma ULS comparativamente a outra.
As decisões de reorganização de serviços de “cima para baixo” à margem dos enfermeiros e a tentativa de imposição que se adaptem, incluindo, às disponibilidades de outros profissionais e não das necessidades dos doentes e dos utentes
A profissão de enfermagem tem, reconhecidamente, fatores de perturbação que são inerentes à natureza das funções e à organização do trabalho:
- Trabalho por turnos
- Ritmos alucinantes e agravados pela carência de enfermeiros
- Trabalho fortemente relacional com pessoas em crise
- Desgaste resultante do contínuo estado de alerta, mesmo quando estão em espaços sociais (fora do local de trabalho)
- Imprevisibilidade dos contextos porque dependentes da situação clínica ou da saúde dos doentes e utentes
- Prolongamento das jornadas de trabalho
- Estreitamento da rede social. O pouco tempo para o descanso é impeditivo que o círculo de amigos (rede social) se alargue para além da Enfermagem determinando que, mesmo nesses espaços, a conversa recaia sobre o trabalho
- Antecipação dos turnos, da jornada de trabalho
- Banalização da morte
Não precisamos que outros fatores agravem, como:
- A que pode resultar de termos uma profissão fortemente hierarquizada
- O fraco nível de autonomia nas equipas multidisciplinares e dentro da profissão
- A fraca preparação para uma relação desigual
- O não reconhecimento monetário que se agrava quando “aos colegas do lado foi justamente reconhecido e foi pago”
- Quando exigem que continues a ser competente mesmo que te mobilizem de uns serviços para os outros, em função das necessidades ou quanto querem “descartar-te” porque está em vista mais uma reorganização de serviço/unidade
- Quando falta material ou equipamentos
Os enfermeiros não são “peões” de um jogo que outros jogam.
Os enfermeiros são parte integrante do jogo em que o cidadão tem que estar no centro das decisões.
Queremos que os cidadãos, informados, se juntem a nós na luta pela valorização dos enfermeiros e do seu trabalho
Vem connosco e mostrar que “somos essenciais como a água”